
EU
Até agora eu não me conhecia,
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.
Mas que eu não era Eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não disseram
Olhos fitos em rutila quimera
Andava atrás de mim e não me via!
Andava a procurar-me e pobre louca!
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!
E esta ânsia de viver, que nada aclama,
é a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!

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