sábado, 30 de dezembro de 2006


EU


Até agora eu não me conhecia,

Julgava que era Eu e eu não era

Aquela que em meus versos descrevera

Tão clara como a fonte e como o dia.


Mas que eu não era Eu não o sabia

E, mesmo que o soubesse, o não disseram

Olhos fitos em rutila quimera

Andava atrás de mim e não me via!


Andava a procurar-me e pobre louca!

E achei o meu olhar no teu olhar,

E a minha boca sobre a tua boca!


E esta ânsia de viver, que nada aclama,

é a chama da tua alma a esbrasear

As apagadas cinzas da minha alma!

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