sexta-feira, 17 de agosto de 2007



Desperta-me de noite...

Desperta-me de noite
O teu desejo...
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito...
É rede a tua lingua,
Em sua teia!
É vicio as palavras
Com que falas...
A trégua,
A entrega,
O disfarce,
E lembras os meus ombros
Docemente...
Na dobra do lençol que desfazes!
Desperta-me de noite
Com o teu corpo...
Tira-me do sono
Onde resvalo...
E eu pouco a pouco,
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim....
Vais descobrindo vales!



M.J.


No encostar da noite,
bem ali na escuridão da lua,
o triste olhar se esconde
na sombra fria e nua.
E de saudades vou versando,
cada estrela carente no céu.
Nas vagas calçadas da vida
procurando mais por ti do que eu.

Nos jardim sem flores,
nas praças sem amores,
a meia a noite, a meia luz...
Desaguando lembranças, sonhos...
Desaguando alegrias, outonos...
Vou andando sem querer parar...
Desafiando a vida,
o vento que corta a alma,
as cores que se desfazem,
as horas que não trazem-te
pra perto de mim.

Vou nos passos da fé,
Seja o que Deus quiser
Vou procurando por ti, querendo-te...
Vou carregando comigo a esperança,
os novos dias, o sol, teu sorriso,
teu jeito, tua pele, teu perfume,
teu suor, tua voz ...
Vou caminhando sem ti
mas com muita saudade de ti...


M.J.