terça-feira, 20 de novembro de 2007



TERNURA



Desvio dos teus ombros

o lençol que é feito de ternura amarrotada,

da frescura que vem depois do Sol,

quando depois do Sol não vem mais nada...



Olho a roupa no chão:

que tempestade!

há restos de ternura pelo meio,

como vultos perdidos na cidade em que uma tempestade sobreveio...



Começas a vestir-te,lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo...



Mas ninguém sonha a pressa com que nós

a despimos assim que estamos sós!



David Mourão Ferreira